30 de out de 2016

29 de outubro: aniversário da Biblioteca Nacional

Fonte: Opinião & Crítica. Data: 29/10/2016.
Considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas do mundo, a Biblioteca Nacional do Brasil é também a maior da América Latina. Sua criação está diretamente ligada à história do país.
O embrião da biblioteca surgiu em Portugal, através do trabalho de Diogo Barbosa Machado (1682-1772). Nascido em Lisboa, no reinado do príncipe regente português Dom Pedro (1683-1706), que depois viria a ser Dom Pedro II de Portugal, Diogo era o segundo de três filhos de um capitão militar português.
Sua família não era rica, mas os três irmãos alcançaram sucesso profissional. Inácio, irmão mais velho de Diogo, formou-se magistrado e trabalhou como juiz de fora na Bahia, no Brasil colonial. Ao morrer, deixou o acervo de sua biblioteca, com mais de 2 mil volumes, sob os cuidados de Diogo.
O mais novo dos três irmãos, José, se tornou cronista oficial da Casa de Bragança, enquanto Diogo começou a estudar direito canônico em Coimbra. Em 1728, foi nomeado abade de Santo Adrião de Sever. Apesar de essa abadia ser apenas uma pequena igreja de madeira na comarca do Porto, o título garantia nobreza e alguma renda a Diogo, que nessa época já fazia parte da Real Academia da História, criada por D. João V para enaltecer a história de Portugal e suas conquistas ultramarinas.
Foi então que Diogo iniciou seu mais notável trabalho: a Biblioteca Lusitana, que, apesar do nome, não era um espaço destinado a livros, mas sim um catálogo de mais de 5 mil livros portugueses, em ordem alfabética.
Paralelamente às atividades da Real Academia, Diogo tinha o costume de colecionar livros, pequenas obras sem encadernação, mapas e gravuras. Esse costume era facilitado pela vida em Lisboa, que tinha uma efervescência cultural e grande presença de europeus letrados. Assim, Diogo criou uma poderosa livraria, que tinha entre 4 mil e 5 mil exemplares.
Em 1755, um terremoto destruiu e incendiou vários prédios de Lisboa, incluindo o prédio da Real Biblioteca, criada por D. João V. Esse episódio aumentou ainda mais a obsessão de Diogo por preservar obras da ação do tempo e de desastres. Em 1770, já idoso, Diogo decidiu doar seu acervo para a Real Biblioteca, recebendo do então rei português D. José uma pensão vitalícia, da qual usufruiu pouco, pois morreu dois anos depois.
Em 1808, a Família Real portuguesa veio para o Brasil, fugindo de Napoleão Bonaparte, trazendo em caixotes todo o acervo da Real Biblioteca, já com 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas.
Inicialmente, o acervo foi acomodado nos andares superiores do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, que ficava na Rua Direita, (atual Rua Primeiro de Março), no Rio de Janeiro. No entanto, D. João VI considerou o local inadequado e em 29 de outubro de 1810 decretou que se erguesse a Real Biblioteca (atual Biblioteca Nacional) no espaço onde ela está atualmente (Av. Rio Branco, 219), que, na época, servia catacumba aos religiosos do Carmo. O acesso ao público, no entanto, só foi franqueado a partir de 1814.

Atualmente, o site oficial da Biblioteca Nacional do Brasil calcula um poderoso acervo estimado em mais de 10 milhões de itens.

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