22 de nov. de 2016

Papo bom: quais os efeitos de estimular a criança a conversar a partir da leitura



Fonte: G1. Data: 3/11/2016.
A leitura proporciona um mundo de descobertas no imaginário infantil. E quando o adulto que media a história conversa com a criança, esse momento de interação e aprendizado torna-se ainda mais rico. Por isso, o importante é ler a história e acompanhar o interesse da criança.
Os efeitos de estimular a conversa a partir do que a leitura evoca vão acompanhar as crianças em seu crescimento pessoal e intelectual. Ao entrar em contato com palavras novas, por exemplo, ela vai ampliar seu vocabulário. A capacidade de se concentrar e de permanecer atenta também é desenvolvida, além de uma maior habilidade de se comunicar.
A conversa ainda estimula a habilidade de se relacionar, e isso facilita a convivência com outras crianças e adultos. Além disso, os diversos aspectos da narrativa, como os personagens, os problemas vividos por eles e os elementos de fantasia possibilitam à criança lidar com seus próprios sentimentos, já que ela pode se identificar com as situações vividas nas histórias.
Como conversar?
Quando o adulto assume o papel de mediador da leitura, está se colocando como uma ponte entre a criança e o livro. O verdadeiro leitor é a criança. Dessa forma, as questões, pausas e eventuais interrupções na leitura serão indicados pela criança. Aos poucos, os adultos atentos e disponíveis entendem o ritmo da criança, suas preferências, medos e desejos. Cada criança vai interagir de uma maneira diferente ao ler a história mediada pelo adulto.
Conversar também é um recurso para o adulto com alguma dificuldade na leitura. Ele pode escolher um texto mais simples, ou criar uma história. Para isso, pode explorar as ilustrações e verificar se criança quer participar da construção da história ou se prefere somente ouvir.
Manusear o livro
Ler não é apenas uma experiência cognitiva, é também estética. Por isso, os adultos devem deixar as crianças manusearem o livro, explorar suas imagens e texturas. Se por acaso rasgar, convide a criança para consertá-lo com você. Dessa maneira, ela aprenderá também a cuidar e a valorizar o livro.

'Se lê pouco porque os livros são caros, e os livros são caros porque se lê pouco', afirma livreira



Autoria; Alberi Neto.
Fonte: Jornal do Comércio. Data: 1/11/2016.
O mercado dos livros no Brasil, além de complicado, é dominado por editoras e distribuidoras que fornecem a grandes livrarias. Essa constatação é de uma das mais conhecidas livreiras de Porto Alegre. Lu Vilella administra há 21 anos a livraria Bamboletras, localizada na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Jornalista com pós-graduação em Letras, Lu foi a primeira convidada da rodada de conversas da edição deste ano do Diálogos JC, que integra a programação da 62ª Feira do Livro da Capital.
Mediada pelo editor de cultura do Jornal do Comércio Cristiano Vieira, a conversa abordou assuntos como a literatura na crise e a sobrevivência das livrarias de bairro. Lu iniciou o papo contando como virou livreira. A paixão pelos livros a fez seguir um caminho além do jornalismo. Em 1995, em um pequeno espaço na Rua da República, ela inaugurou a Bamboletras. Inicialmente, o objetivo era se dedicar apenas aos títulos infantis, mas constatou que não seria o suficiente. Um ano depois, a loja migrou para o espaço onde reside até hoje, no Centro Comercial Olaria, na Rua General Lima e Silva.
Durante cerca de 10 anos ela se dividiu entre a rotina de jornalista e livreira, mas se aposentou há alguns anos da carreira de 33 anos como funcionária pública, onde trabalhou na reportagem da TV Educativa (TVE) e na assessoria de imprensa do Banrisul. Depois, seguiu apenas com a Bamboletras.
“Durante esses 21 anos eu atravessei crises e alguns momentos ruins, porém nunca pensei em fechar as portas,” relata a administradora, “mas o atual momento tem me trazido pela primeira vez essa preocupação, não sei o que esperar do futuro. Não só do futuro da minha livraria, mas do futuro do país”. Apesar da cautela, ela demonstrou surpresa com as vendas no último final de semana na sede da livraria. “Diferente dos outros anos, nesse fim de semana tivemos ótimos resultados, mesmo com a feira acontecendo aqui na Praça”, afirmou.
Para a livreira, a reversão nos baixos índices de leitura no Brasil poderia começar pelo incentivo à cultura por parte dos meios de comunicação, muitos deles, concessões públicas. “Hoje não há um grande incentivo, assim se fazem tiragens menores de ótimos livros. Por exemplo, um livro que sai aqui com 2 mil exemplares, no Uruguai sai com 10 mil. É um ciclo, se lê pouco porque os livros são caros, e os livros são caros porque se lê pouco. Precisamos incentivar, para mudar isso, não ficar apenas em uma semana de Feira do livro, mas permanecer durante o ano todo. ”
Quando questionada sobre o futuro das livrarias de bairro, em um mercado dominado cada vez mais por megastores – livrarias de rede, como Saraiva e Cultura – Lu é saudosa. “Acho que sempre criamos o nosso público, e apesar de não conseguirmos os mesmos descontos ou preços de grandes redes, temos um atendimento especial. Todos os dias nós buscamos dar o melhor, se algum dia isso não for mais possível, foi bom enquanto durou”. Sobre administrar uma empresa, ela é enfática: “a vida é a arte de resolver problemas, seja desde o cupom fiscal com erro até os imbróglios com editoras e fornecedores, esse é o papel de quem administra. Porém, a nossa relação direta com o público é a recompensa. ” Para conseguir manter o público fiel, Lu tem uma receita simples: “Eu fidelizo meus clientes com bom atendimento”.

7 de nov. de 2016

Traças mostram mais interesse pela Biblioteca Central que o poder público

Autoria: Nelson Rocha
Fonte: Tribuna da Bahia. Data: 5/11/2016.
URL: www.tribunadabahia.com.br/2016/11/05/tracas-mostram-mais-interesse-pela-biblioteca-central-que-poder-publico
Na quinta-feira, 27 de outubro, o jovem Rafael Brito pegou a bike e seguiu para a Biblioteca Pública do Estado da Bahia, popularmente conhecida como Biblioteca Central dos  Barris, com o objetivo de fazer pesquisa e clipagem de jornais. Lá chegando fez a primeira constatação: “Nossa, como tá feia e degradada esta frente. Portões enferrujados, alguns quase caindo. a fachada com infiltrações e seguranças batendo papo. Se não bastasse, vou até ao espaço de jornais e ao chegar lá: “Não recebemos jornais há mais de quatro meses. Exatamente o período que eu desejava fazer a pesquisa”. Em relato no Facebook, o estudante retratou as condições precárias em que se encontra hoje um dos patrimônios culturais da capital baiana, cujo acervo está ameaçado pela degradação.
A decepção de Rafael continua sendo relatada: “Depois de colocar a bicicleta num local inadequado e adentrar fui informado que teria que retirar e colocar a bike em outro local: “Não temos espaço adequado para colocar, se possível coloque do lado de fora, não nos responsabilizamos por perdas e roubos. Estamos vendo mais um patrimônio sendo jogado às traças. Recordo que quase fechou por falta de segurança. O prédio tá super esquecido pelo poder público. Os funcionários já não trabalham com felicidade e os espaços cheios de infiltração, entregues às traças”, conclui Rafael sobre as observações feitas no local.
Do outro lado da Rua General Labatut, onde está situada a Biblioteca Central - primeira do Brasil e da América do Sul e a maior do estado-, a empresária Corina Veloso, responsável pela Pérola Negra, espaço também de divulgação da cultura baiana, lamenta o estado de degradação do equipamento público. “A Biblioteca é vital aqui para os Barris e importantíssima pra cidade toda. É o maior registro que a gente tem, em nível de pesquisa que as pessoas podem usufruir, mas está bastante malcuidado, com instalações precárias”, diz.
Corina revela ter um cliente amigo que “quando vem à biblioteca fazer o seu trabalho, traz um ventilador de casa. Ainda assim ele tem que vir porque é a única fonte onde ele encontra o que busca para pôr num livro sobre Irmã Dulce. É interessantíssimo ele chegar com o ventilador numa sacola, por causa de instalações precaríssimas, embora o acervo seja fantástico. Não abre a noite, tem muita escuridão porque falta manutenção da parte elétrica e é assim, a biblioteca realmente está capengando, funciona pelo esforço dos funcionários que, independentes das obrigações, tentam ajudar no que podem. E quando a biblioteca não abre os Barris está morto”, declarou.
Ainda conforme Corina, os comerciantes sentem a falta de movimento na biblioteca. “O bairro é pequeno, não tem terminal de ônibus e não dá sustentação ao comércio, que fica à mercê das clínicas, que são poucas também, e da biblioteca que traz o pessoal de fora. Mas ela tem mais de dois meses funcionando de forma precária, abre um pouquinho e depois passa uma semana, duas, fechada. É uma falta de comprometimento coma nossa cultura, com o nosso acervo. É terrível mesmo”, relatou a empresária, que quando tomou conhecimento que a central de ar condicionado está quebrada há mais de um ano e sem perspectivas de concerto ficou ainda mais indignada.
A Biblioteca dos Barris, com mais de 120 mil livros e 600 mil jornais em seu acervo, salas de cinema, galeria, diretoria de Som e Imagem e um teatro (Espaço Xis), integra o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, gerido pela Fundação Pedro Calmon – Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA).
Os funcionários da biblioteca, por sua vez, não se pronunciam a respeito das condições no ambiente de trabalho, mas deixam transparecer que fazem o que gostam. Ontem, por exemplo, durante todo o período da tarde, eles promoveram a 9ª Lavagem das escadarias do prédio, em homenagem à criação da unidade, ocorrida no dia 13 de maio de 1811, inicialmente funcionando na Praça da Sé e, em seguida, na Praça Municipal. Grupos de samba, de dança, hip-hop e uma Feira de Economia Solidária foram atrações do evento que também celebrou o Dia Nacional da Cultura Brasileira, que é hoje, 5 de novembro. 
 Mas, nos meses de agosto e setembro, eles não tiveram muito que comemorar. Os vigilantes se recusaram a continuar a trabalhar, devido ao atraso nos salários, e a biblioteca ficou com o funcionamento reduzido, limitado às poucas horas e em poucos espaços.
“Fez muita falta, apesar de eles liberarem o acesso, porém era bem limitado. A galera reclamava bastante, porque não deixavam subir. É um espaço bem importante pra galera que quer estudar. É um lugar tranquilo, tem várias opções de livros e a galeria de empréstimos também”, comentou a estudante Adriele Martins, 18.
Apesar dos problemas estruturais do prédio, inaugurado em 5 de novembro de 1970, quem estuda para concursos, Enem ou busca informações sobre autores baianos e a história do estado, tem na biblioteca uma fonte inesgotável. ” Estudar ou pesquisar na biblioteca é bom, quando encontramos o que procuramos. Eu, por exemplo, agora estou com dificuldade de achar artigos específicos sobre a cidade de Lauro de Freitas, mas continuo pesquisando”, diz Rafael Vasconcelos, 27, estudante de História.
“ Hoje a gente se restringe mais a internet, mas a biblioteca não deixa de ser um componente importante para as nossas pesquisas”, comenta o estudante Lucas Vieira, 21, acrescentando que torce para que “ as autoridades não deixem este patrimônio abandonado e façam o que for necessário para que seja um local cada vez mais confortável e atraente para quem busca o conhecimento”.
De acordo com a assessoria da Fundação Pedro Calmon, a biblioteca possui um acervo de 166.350 livros, 652.802 periódicos e 15.336 multimeios, com setores de documentação baiana, braille, obras raras, periódicos, empréstimos, infantil, pesquisa e referências e salas de estudo. No total, são 67 bibliotecários e auxiliares de biblioteca.
Com relação às assinaturas de jornais, o Órgão esclareceu que está tomando providência para a retomada de assinaturas e que o serviço será retomado ainda este mês. A Fundação ainda afirmou, por meio de nota, que, a Biblioteca terá seu sistema de refrigeração retomado.  
Serão disponibilizados recursos de R$74 mil, na próxima semana,  para solução desta questão, no intuito de melhor atender os usuários. Após a liberação, será feito o conserto.

Dicas para incentivar o hábito da leitura infantil

Fonte: Expresso MT. Data: 2/11/2016.
A criança que lê adquire cultura, passa a escrever melhor, tem mais senso crítico, amplia o vocabulário e tem melhor desempenho escolar, dentre muitas outras vantagens. Por isso, é importante ter contato com obras literárias, desde os primeiros meses de vida. Mas como fazer com que crianças em fase de alfabetização se interessem pelos livros? É verdade que, em meio a brinquedos cada vez mais lúdicos e cheios de recursos tecnológicos, essa não é uma tarefa fácil. Mas pequenas ações podem fazer a diferença.
Dicas para incentivar a leitura infantil
A família tem o papel de mostrar para a criança que a leitura é uma atividade prazerosa, e não apenas uma obrigação. As crianças precisam ser encantadas pela leitura.
Para isso, há diversas atividades que os pais e outros familiares podem colocar em prática com a criança e, assim, fazer do ato de ler um momento divertido.
No período da alfabetização, é interessante misturar a leitura com brincadeira, fazendo, por exemplo, representações da história lida, incentivando a criança a criar os próprios livros e pedindo que a ela ilustre uma história. Além disso, para encantar as crianças pequenas, é essencial brincar com o livro e sempre valorizá-lo. Fica então uma dica: nunca reclame dos preços dos livros diante do seu filho.
A seguir, confira algumas dicas que, se realizadas com determinação e disposição, podem garantir que o seu filho em fase de alfabetização seja um pequeno grande leitor:
1. Respeite o ritmo e o gosto do seu filho
Não se preocupe caso ele leia livros que você considere muito infantil. Cada criança vai apresentar uma evolução diferente em relação isso. Provavelmente, ele escolherá livros diferentes do que você escolheria para ele e seu respeito em relação a isso é essencial. Incentive a leitura que parecer mais agradável a ele e, aos poucos, ele próprio irá buscar outros estilos.
2. Faça passeios que tragam a leitura para o cotidiano
Procure proporcionar passeios a livrarias, bibliotecas, museus e ambientes que façam parte de cenários dos seus livros. Por exemplo: caso ele esteja lendo algo sobre animais, proporcione um passeio ao zoológico.
3. Incentive a leitura antes de dormir
Enquanto o pequeno ainda não souber ler, leia para ele todas as noites. Isso vai fazer com que ele tenha vontade de aprender ainda mais rápido. Assim que ele próprio já puder fazer a leitura, incentive para que ele tenha alguns minutos para isso, todas as noites, e providencie um abajur para ficar ao lado da sua cama.
4. Improvise representações dos livros
Organize apresentações teatrais entre ele e seus amigos, para que encenem a história que acabou de ler. Ajude-os na criação de cenários e figurinos e chame uma pequena plateia para prestigiá-los.
5. Organize um clube do livro
Proponha aos pais amigos do seu filho que criem um clube do livro. A cada mês, escolham a história para que todos leiam e depois organizem debates e encenações sobre a obra. Podem ainda promover trocas de livros entre si, incentivando assim que eles conheçam diferentes tipos de estilos literários.
6. Ajude-o a ler melhor

Caso a criança tenha dificuldades para ler, é essencial que os pais o ajudem nisso. Leia para ele, acompanhe suas leituras em voz alta, tire dúvidas e o incentive a não desistir.