30 de dez de 2013

Biblioteca em geladeira



Eletrodoméstico oferece livros em exigência de cadastro ou data de devolução. E faz muito sucesso.
Autoria: Aline Bonilha.
Fonte: Jornal A Cidade (Ribeirão Preto, SP). Data: 28/12/2013.
URL: www.jornalacidade.com.br/noticias/cidades/NOT,2,2,912257,Biblioteca+em+geladeira+conquista+leitores.aspx
Em Sertãozinho, livro também pode ser encontrado na geladeira. É isso mesmo: o município ganhou a Geladeiroteca, um eletrodoméstico cuja carcaça foi customizada com gravuras e textos, e se tornou uma estante de biblioteca. Nela, qualquer pessoa pode pegar livros emprestados, sem a necessidade de cadastro. O lema é “Consuma aqui e alimente seu espírito”.
O projeto foi idealizado pela biblioteca General Tavares Carmo, da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste) e teve início em outubro deste ano, durante a 11ª Feira do Livro de Sertãozinho. Agora, o local que acolhe a Geladeiroteca é o Centro Esportivo Mogiana, por meio da Associação de Amigos do Bairro Alvorada (ABA).
Segundo o bibliotecário e idealizador Haroldo Luís Beraldo, a Geladeitoreca é uma biblioteca livre: não existe a necessidade de cadastro para o empréstimo de livros, nem prazos estabelecidos para devolução. Além disso, as pessoas podem fazer doações.
“Se a pessoa quiser devolver o livro, legal, assim como pode emprestar para um vizinho ou deixar em um ponto de ônibus para outras pessoas lerem”, diz.
“A ideia é simples, mas o objetivo é promover a leitura, tirar os livros da estante e fazer com que circulem de maneira livre e gratuita.”
Beraldo pretende fazer novas geladeiras de livros e disponibilizar os equipamentos em outros locais.
Acesso público
“O Centro Esportivo foi escolhido a princípio por ser de acesso público e de grande circulação de pessoas, já que lá são desenvolvidos muitos projetos sociais com crianças, adultos e idosos”, diz.
Segundo o bibliotecário, durante os três dias de feira, em outubro, foram repassados, aproximadamente, 400 livros. A secretária do Centro Esportivo Mogiana, Francine Silva Nogueira diz que, no clube, ao menos 10 pessoas se interessam e perguntam diariamente sobre o projeto.
“O pessoal fica muito curioso, pega livros e também faz doações. É difícil ter um controle de quantos já foram emprestados porque não há cadastro, mas o interesse está sendo grande”, afirma.
José Guilherme, neto da dona de casa Maria Solange dos Santos Leite, saiu da aula de jiu-jitsu e aproveitou para escolher um livro para levar para casa. “Eu acho muito importante reforçar a leitura de livros, ainda mais para as crianças que hoje ficam muito no computador”, diz Maria.
Acervo tem 15 mil opções
A biblioteca “General Tavares Carmo”, da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), existe há 41 anos e, há dois, se tornou pública.
Antes disso, apenas associados, cooperados e pessoas autorizadas podiam utilizar o empréstimo de livros.
O local conta com um acervo de, aproximadamente, 15 mil livros, hemeretoca com revistas e jornais, vídeos técnicos, documentários, computadores com acesso à internet, tecnologia Wi-fi, equipamentos multimídia, como e-readers e tablets, ambientes climatizados e estrutura para estudo.

Um comentário:

Jaque disse...

Iniciativas assim me fazem acreditar que o bibliotecário ainda será reconhecido pela sociedade não apenas como um indivíduo entre quatro paredes, mas um profissional missionário que reconhece a sua função de despertador.