22 de jun de 2014

Nota de falecimento: Edson Nery da Fonseca

Morre, em Olinda, aos 92 anos, Edson Nery da Fonseca. Pernambucano foi vítima de complicações causadas por infecções. Ele fundou cursos de biblioteconomia na UFPE, em 1950, e UnB, em 1965.
Fonte: Portal G1. Data: 22/06/2014.
URL: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/06/morre-em-olinda-aos-92-anos-edson-nery-da-fonseca.html
O bibliotecário, professor e escritor pernambucano Edson Nery da Fonseca faleceu neste domingo (22), em sua casa, em Olinda, vítima de complicações causadas por infecções urinária e pulmonar. O escritor estava acamado havia muito tempo e recebia atendimento médico domiciliar. O quadro se agravou nos últimos dias.
A morte aconteceu por volta das 7h30 e o velório está sendo realizado na casa do escritor, na Rua de São Bento, no Sítio Histórico de Olinda, e vai se estender durante toda a madrugada. Na segunda-feira (23), está prevista uma missa de corpo presente no Mosteiro de São Bento, também em Olinda. O sepultamento será no Cemitério dos Ingleses, no Recife, às 10h da segunda. A família do escritor está enterrada no local.
Lúcido até o fim
No velório, amigos e parentes prestam as últimas homenagens ao bibliotecário. A pedogoga Lucinha Maria, sobrinha de Edson, cuidou do tio nos últimos três anos. Ela contou que desde o domingo o quadro de saúde vinha se agravando, mas Edson Nery pediu para não ser encaminhado para fazer hemodiálise ou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva.
"Até os seus últimos dias, meu tio estava lúcido, conversava, apesar da idade. Domingo, ele deixou de urinar, ficou fraco, e um médico veio até a casa. Mas ele disse que queria ficar em casa, não queria ser entubado", contou. Edson Nery deixou um documento com Lucinha dando orientações sobre seu funeral, entre elas a ausência de flores, vestir a túnica do Mosteiro de São Bento e ser enterrado no túmulo da sua avó, no Cemitério dos Ingleses, no Centro do Recife.
"Meu tio era uma pessoa de opinião, criando até inimizades por conta disso. Sempre admirei ele por isso, pela inteligência, pela memória. Era um homem muito bom. A gente já estava esperando pelo falecimento, ele estava muito fraco nos últimos dias. Mas vai deixar muita saudade", comentou Lucinha.
Edson Nery publicou cerca de 20 livros, alguns com a ajuda do historiador e pesquisador Clênio Sierra de Alcântara, que o acompanhou nos últimos anos. Ele recebeu da editora, na quarta-feira, a versão final de "A cidade e a história", livro escrito em homenagem a Edson Nery da Fonseca. A obra não chegou a ser compartilhada com o bibliotecário. "Era muito bom conversar com ele, que tinha uma memória, sabia contar as histórias do passado. Era um grande homem", disse.
Professor universitário e especialista em Gilberto Freyre
Nascido no Recife em 1921, Edson Nery da Fonseca foi bibliotecário no governo municipal, nos anos 1940, sendo convidado, em 1950, pelo reitor da então Universidade do Recife (futura Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), professor Joaquim Amazonas, para fundar o curso de biblioteconomia
Em 1965, inaugurou a mesma graduação na Universidade de Brasília (UnB), junto com Darcy Ribeiro. De 1980 a 1987, atuou como pesquisador na Fundação Joaquim Nabuco. Em 1991, se aposentou da UnB, da qual era professor emérito. Em 2011, recebeu da UFPE o título de doutor honoris causa.
Considerado o maior especialista na obra do sociólogo Gilberto Freyre, Edson Nery da Fonseca organizou e publicou diversas obras sobre ele. Uma delas foi “O Grande Sedutor - Escritos sobre Gilberto Freyre de 1945 até hoje”, lançada durante a edição 2011 da Fliporto.

O livro reúne 135 textos de Edson Nery da Fonseca sobre Gilberto Freyre escritos entre 1945 e 2010. O autor sempre recusou o rótulo de curador de Freyre, deixando essa função para a Fundação dirigida pela filha do sociólogo. Depois que Gilberto Freyre morreu, Nery publicou quatro livros dele, um deles atendendo ao pedido do próprio autor: "Palavras repatriadas" reúne textos/conferências escritos/proferidas em inglês e vertidas por diferentes tradutores para o português.


Um comentário:

Anônimo disse...

Uma grande perda para a Biblioteconomia brasileira.