11 de fev de 2016

Lei assinada por Lula pode ter beneficado sócio do seu filho



Fonte: Notícia ao Minuto. Data: 7/02/2016.
URL: http://noticiasaominuto.com.br/politica/185464/lei-assinada-por-lula-pode-ter-beneficiado-socio-do-seu-filho
Em maio de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei que foi responsável por estimular uma nova linha de negócios de um dos donos do sítio frequentado pelo petista em Atibaia (SP).
De acordo com a Folha de S. Paulo, a nova lei obrigou todas as instituições de ensino públicas e privadas a possuir, até 2020, pelo menos uma biblioteca com no mínimo um título por aluno. A coleção pode existir "em qualquer suporte", abrindo margem para bibliotecas virtuais.
Alguns meses após a criação da lei, o empresário Jonas Leite Suassuna Filho, 57, que em 2009 se tornou sócio do filho do presidente, Fábio Luís, o Lulinha, na firma de jogos eletrônicos Gamecorp, lançou a plataforma virtual "Nuvem de Livros", que poderia ser usada para permitir que escolas tivessem acesso a uma biblioteca virtual e, assim, pudessem cumprir a legislação.
Segundo a publicação, a relação entre o novo negócio e a lei assinada por Lula foi estabelecida pelo próprio Suassuna em palestra na feira de informática Campus Party de 2013.
"Para cumprir essa lei -se a gente [brasileiros] fosse de cumprir lei- até 2020, dava mais ou menos 20 bibliotecas por dia [a serem construídas]. [...] Opa, se eu tenho banda larga, se eu tenho uma política necessitando de bibliotecas... [sic]. Então, juntando as coisas, você tinha que ter um modelo de negócios. E foi o que a gente conseguiu fazer e a gente acabou saindo na frente. Hoje ela [Nuvem] tem 1,5 milhão de clientes", afirmou Jonas em uma palestra.
No entanto, as informações fornecidas pelo grupo na internet não permitem saber se o empreendimento deu certo ou não no ponto específico previsto na lei assinada pelo então presidente Lula.
O advogado do empresário disse que não sabia informar se o serviço é disponibilizado a órgãos públicos, incluindo secretarias de educação ou escolas públicas. Em relação ao volume de negócios, o defensor disse que não mantinha esses dados à mão.
"Nós fomos ver o seguinte: o Brasil tem uma lei que diz que até 2020 todas as escolas desse país deverão ter uma biblioteca com pelo menos um livro por aluno. Significa dizer que hoje, no nosso país, 15 milhões de alunos ou 65% das nossas escolas não têm uma biblioteca", analisou Suassuna, na palestra em 2013.
A Folha refere que a lei foi baseada em um projeto de 2003 do deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), que disse ter acolhido uma demanda do Conselho Federal de Biblioteconomia.
Porém, o projeto do parlamentar não menciona a opção de "qualquer suporte", que foi acrescentada a partir de um substitutivo apresentado por políticos aliados ao governo. "Não sei como isso entrou na lei, não me recordo, precisaria rever todo o processo", disse.
De acordo com um dos executivos responsáveis pela plataforma virtual, o publicitário Roberto Bahiense, a plataforma foi lançada em 2011 na Bienal do Livro do Rio –um ano depois da lei.
A reportagem explica que o acesso à "Nuvem" também é comercializado pela Vivo, que vende por R$ 9,90 mensais acesso a cerca de 16 mil "livros, audiolivros, vídeos, teleaulas e conteúdos educativos direto do seu computador, celular ou tablet". Suassuna também lançou uma versão da "Nuvem" na Espanha. (…)

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