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5 de fev. de 2014

Do papiro à nuvem

Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 31/01/2014.
URL: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/01/1405355-anna-veronica-mautner-do-papiro-a-nuvem.shtml
Não é mais simplesmente uma biblioteca nem sequer dados armazenados em um computador. Essa tal de "nuvem", a mais nova entidade da cultura, o mais novo lugar do saber, conteria, por definição, tudo o que já foi posto em palavras. Será?
Mesmo que eu não tenha acesso à completude do conceito de "nuvem", ou "cloud", em inglês, como é mais conhecido, talvez porque nem tenha sido completamente esgotado, posso concluir que se associa à dinâmica de um pecado mortal: o da ganância.
Tudo deve ter começado nas folhas de uma planta (papiro), na verticalidade e porosidade das pedras e do barro. Tudo para guardar, para não perder, não esquecer. A acumulação tem como função dar conta do nosso medo de perder. Esse temor praticamente domina a nossa relação com o mundo. Quero guardar, mesmo não sabendo por quê. Quero ter à disposição todo o necessário para enfrentar o imprevisível. Não quero sentir falta.
Uma vez me contaram a história de uma senhora que nunca jogava nada fora, muito menos o que não era perecível. Tanto acumulou que acabou morando num dos carros que também mantinha em seu quintal. Na casa, não cabia mais nada. Os vizinhos acabaram intervindo, temendo uma possível peste (rato, barata, aranha). Acumular, de fato, em certos casos, pode se tornar uma questão de saúde pública.
No campo do pensamento, temos as enormes bibliotecas, cujo orgulho é conter o máximo de ideias possíveis, organizadas de tal forma que sejam acessíveis. Para tanto, existe uma ciência, a técnica de arquivar.
Evitar o desgaste, não deixar apodrecer, lutar contra a decadência das estruturas da natureza ou mesmo das imagens parece ser uma das funções do que chamamos de "nossa sociedade". Essa função faz história, que é a matriz do homem. Enquanto sociedade, somos a resultante da interação dinâmica de todo o saber que guardamos.
Todas as culturas guardam e transmitem a sua sabedoria. Nós, no Ocidente, fomos além: chegamos à "nuvem". O saber guardado, o saber que não se reproduz, que não contamina nem é contaminado, em caso de, em algum dia, ser útil.
Em qualquer biblioteca particular, podemos encontrar mais de "não lido" do que de "lido". Para quê? Para termos à disposição informação de que eventualmente, um dia, porventura, podemos precisar. Não estou falando de biblioteca enfeite –falo também dos livros que são instrumentos de ganha-pão. No papiro, na pedra, na biblioteca, na "nuvem"...
Nisso tudo está... O que mesmo? Será o saber? Será a cultura? É um rito de sobrevivência, com certeza. Educação é dominar esse saber todo ou ser informado tão somente de que ele existe? Não sei, não... Tenho certeza de que educação tem a ver com ter acesso, conhecer os meandros que levam ao saber.
Acumular, arquivar é diferente de assimilar. Tudo o que está na "nuvem", sem a dinâmica da aquisição e da assimilação, não passa de informações, dados à procura de uma mente criativa que os coloque em novas conexões. Cumpre à sabedoria integrar-se a uma máquina que a transforme. A mente humana tem esse poder fantástico de transformar arquivo em cultura.

ANNA VERONICA MAUTNER é psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e autora de "Cotidiano nas Entrelinhas" (Ágora)


23 de dez. de 2013

Nuvem é o novo mainframe



Fonte: INFO Online
Não; não é o que você pode estar imaginando; não sou nenhum saudosista, muito menos dos mainframes. Pelo contrário, eu sou exatamente da geração de embarcou na onda dos computadores pessoais; a única experiência que tive com as "grandes geladeiras" foi na universidade e na realidade foi bem ruim; era muito chato programar naqueles terminais e depois de digitar seu código, ter de esperar para ser processado e pegar o resultado numa impressora.
Mas, desde o surgimento dos browsers como o antigo Netscape, seguido pelo Internet Explorer e mais recentemente pelo Firefox e o Chrome, todos me lembravam muito os emuladores de terminal que eu desenvolvia, pois a função básica é muito parecida: receber dados de um servidor remoto e apresenta-los para o usuário. Claro que os browsers atuais são bem mais sofisticados que os antigos programas emuladores, mas sua essência é a mesma.
Pois bem, se os browsers lembravam os terminais dos mainframes, com o surgimento de tecnologias de computação em nuvem ("cloud computing") cada vez mais lembram a antiga arquitetura dos mainframes, aonde todos os dados e programas são armazenados em computadores centrais e o usuário acessa os mesmos remotamente. Isto tem estimulado o forte crescimento dos Data Centers, que tem praticamente a mesma infraestrutura física de um antigo CPD (Centro de Processamento de Dados), com seus sistemas de alta segurança e redundância.
Bom, isto pode levar a questão se estamos voltando as origens, por que os mainframes praticamente desapareceram e agora ressurgem no formato de clusters de servidores. Minha visão é de que um dos principais motivos para o ressurgimento desta arquitetura é o crescimento acelerado da disponibilidade da comunicação de dados. Na época dos mainframes a velocidade de comunicação era de 300bps a 1200bps; observe que estou falando de "bits por segundo", não de kbps (kilo bps ou 1000 bits por segundo) e muito menos dos Mbps (milhões de bps) que temos atualmente. Além disto, o meio físico disponível era basicamente as linhas telefônicas convencionais, que são tarifadas por tempo de uso o que onerava muito sua utilização ou eventualmente as chamadas linhas dedicadas, que além de terem um alto custo, não eram disponíveis em todos locais. Assim, não era viável utilizar os mainframes para uso pessoal ou nas pequenas empresas, devido ao valor proibitivo de conexão e suas restrições técnicas/de disponibilidade. Isto conjugado com o advento dos microprocessadores foram os ingredientes para explosão da computação pessoal.
Pois bem, com advento de novas tecnologias como as fibras ópticas, a comunicação por telefonia celular (o 3G) e a própria Internet, tanto a velocidade quanto a disponibilidade cresceram ordens de grandeza, enquanto que o custo reduziu-se enormemente. Por outro lado, com o crescimento dispositivos móveis como celulares e tablets que tem restrições de capacidade de processamento e armazenamento, os fatores que impulsionaram a computação pessoal se inverteram e com isto a reinvenção dos mainframes na forma da chamada computação elástica ganhou uma força incomparável.
Enfim, o objetivo deste artigo é apenas para desmistificar que muitas coisas podem parecer (e muitas vezes são vendidas) como se fossem revolucionarias, quando na realidade são apenas a reinvenção de algo já muito conhecido e muitas vezes até antigo; tão antigo que as novas gerações não tiverem a oportunidade de conhece-los e por isto podem achar tão inovador.
Conforme citei no começo do artigo, reitero que não sou advogado do passado, pelo contrário, adoro novidades e tenho arrepios quando lembro o quanto sofríamos com as limitações tecnológicas que tínhamos, mas pela minha experiência, muitas soluções novas podem ser desenvolvidas a partir de conhecimentos relativamente antigos, por isto, não devemos esquecer da nossa história, pelo contrário, podemos aprender muito com elas reinventando-as como se fossem novas.
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26 de mar. de 2011

Curso gratuito sobre Computação nas nuvens

Curso: “Andando nas nuvens: Introdução ao uso das tecnologias interativas na educação, pesquisa, gestão e saúde e noções de computação em nuvem”
Promoção: Núcleo de Experimentação Tecnológica (Next/Icict) da Fiocruz
O curso pretende demonstrar as possibilidades de implementação de tecnologias interativas em ambientes de ensino e pesquisa, em particular na área da saúde. Esta primeira edição do curso tem o caráter de experimentação com o objetivo de sua consolidação como curso permanente.
O curso é gratuito e tem carga horária de 76 horas, sendo 60 horas à distância e 16 horas presenciais. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (21) 3882-9033 / 9063 e endereço eletrônico: gestaoacademica@icict.fiocruz.br
As inscrições serão feitas pelo site da Plataforma SIGA (www.sigals.fiocruz.br), seguindo os links: inscrição > a distância > atualização > Icict > Andando nas Nuvens – 2011/Sede. O candidato deverá seguir as orientações disponíveis no link e efetuar sua inscrição.
Mais Informações no Wiki do Curso:

14 de mar. de 2011

Nuvem, internet das coisas e internet semântica

Autor: Ethevaldo Siqueira.
Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 13/03/2011.
Até 2020, a tecnologia vai mudar a comunicação entre os equipamentos e a forma como nos relacionamos com eles
Ao longo desta década, pelo menos três avanços notáveis da internet estarão amadurecidos e vão acelerar ainda mais a mobilidade de terceira geração: a nuvem, a internet das coisas e a internet semântica.
Relembremos que nuvem significa "em algum lugar da internet" (em data centers públicos ou privados) ou a nova forma de computação conhecida como cloud computing. A nuvem nos permitirá armazenar quase tudo que hoje guardamos em nossos computadores e smartphones. Ela será o repositório quase inesgotável de nossos conteúdos pessoais, programas e aplicativos.
Tudo o que você quiser, leitor, estará disponível na nuvem: programas, jogos, filmes, aplicativos e todos os tipos de conteúdos. Um exemplo típico dos benefícios da nuvem nessa nova fase da revolução da mobilidade 3.0 é o projeto que a sueca Ericsson desenvolve com a empresa americana Akamai para criação de programas e aplicativos que permitirão aos usuários dos smartphones baixar todo tipo de conteúdo direto da nuvem.
O segundo avanço extraordinário que beneficiará a todos será a "internet das coisas" - um salto da web que estará intimamente ligado à nuvem e nos permitirá estabelecer elos virtuais ou links entre objetos materiais: livros, discos, móveis, documentos, mercadorias, produtos físicos e outros. Essa nova internet terá grande aplicação não apenas em ambiente doméstico ou industrial, mas, principalmente, em ambientes de mobilidade.
A internet das coisas permitirá que nossos carros troquem informações não apenas com os pedágios eletrônicos, mas também com outros veículos e com as estradas, com os sistemas de sinalização e de segurança. Mais ainda: poderão estacionar com precisão e segurança, sem bater nos outros nem na sarjeta.
Nossas roupas, smartphones e objetos pessoais falarão entre si e com o mundo à sua volta, com as portas, paredes e com outros aparelhos domésticos. Com a internet das coisas, o mundo viverá o auge da comunicação máquina-máquina. Bilhões de sensores falarão entre si e estabelecerão um novo diálogo com semáforos, sistemas de transporte, de segurança pública e doméstica, de vigilância de prédios e ruas, de controle do consumo de energia e outras aplicações.
A terceira inovação que vai revolucionar a web e as comunicações pessoais será a "internet semântica", que pode ser definida como um conjunto de métodos ou tecnologias que permitem às máquinas entender o significado da informação. Ou, em outras palavras, entender a semântica da informação. Esse conceito de uma internet avançada foi estabelecido por Tim Berners-Lee, o criador da teia mundial (www, de worldwide web), para quem essa nova internet poderá ser processada direta e indiretamente pelas máquinas.
O melhor benefício que o cidadão de 2020 terá com a internet semântica, em sua fase mais avançada, talvez sejam as pesquisas que seus aplicativos poderão fazer na web. Essas transformações terão enorme impacto na economia, na produtividade, no estilo de vida e no comportamento, em especial com a expansão acelerada do uso dos dispositivos de tecnologia pessoal, como smartphones e tablets.

13 de jan. de 2011

Tire dúvidas sobre computação em nuvem privada

Autor: Thomas J. Bittman.

Fonte: Info Online. Data: 10/1/2011.

A computação em nuvem privada se tornou uma importante tendência de TI, uma palavra chave para provedores de infraestrutura e gerenciamento e o elemento supremo da virtualização.
Nesta análise, esclarecemos as principais dúvidas sobre o tema e discutimos as realidades da computação em nuvem privada.
A computação em nuvem privada é a epítome de um paradoxismo de TI. A computação em nuvem implica delegar as complexidades de TI e foca aquisição de serviços. Como isso poderia ser privado? Esta é uma tendência real ou uma moda mercadológica? Isso é simplesmente uma maneira de a TI defender o que tem aplicado?
A verdade é que a nuvem privada vem recebendo atenção exagerada e muitos profissionais de TI a vêem como uma maneira de proteger seus empregos. Porém ela é também um fenômeno real. Bem estruturada, a computação em nuvem privada pode ajudar a TI a dar um melhor suporte aos seus consumidores. Os provedores estão começando a entregar produtos que efetivamente geram benefícios. O desafio é decidir quando a nuvem privada faz sentido e quando não é apropriada, quais fornecedores tem soluções estratégicas e quais estão apenas tentando participar de um tendência lucrativa.
Serviços de nuvem privada exigem mais do que tecnologia para funcionarem. É necessário considerar aspectos como objetivos corporativos, planejamento de serviço, políticas, processos e papel das organizações. Como nossos clientes nos disseram em pesquisas, existem desafios verdadeiros para a computação em nuvem. Serviços de segurança devem mudar. Um processo operacional que deve evoluir para satisfazer as necessidades de um ambiente de nuvem privada mais dinâmico é o gerenciamento de configurações.
A nuvem privada não é apropriada a todos os serviços de TI, mas é ideal para serviços que possam ser rapidamente padronizados e que requeiram rápido suprimento.
Embora as tecnologias provavelmente sejam o desafio mais fácil a ser superado ao criar serviços de nuvem privada, o mercado de tecnologias para nuvens privadas ainda é imaturo. Soluções são desenvolvidas por fornecedores tradicionais de infraestrutura e gerenciamento, focados em virtualização, e por startups focadas especificamente em gerenciamento de nuvens. Dois fornecedores que terão papel protagonista no mercado da nuvem privada são a VMware e a Microsoft. A ampla estratégia e as ofertas de produtos da VMware se destacam, enquanto a fabricante do Windows apresenta uma abordagem polivalente para a computação em nuvem privada. Um dos esforços da Microsoft é tornar sua oferta de nuvem pública, a Plataforma Windows Azure, disponível para terceiros.
Quase todas as grandes empresas e a maioria das médias empresas estão rapidamente virtualizando suas infraestruturas. Segundo uma pesquisa do Gartner feita com milhares de CIOs, a virtualização é a principal tendência de tecnologia, seguida imediatamente pela computação em nuvem.
Embora a nuvem privada possa ser criada sem virtualização, a maioria das implantações de nuvem privada aplicará tecnologias de virtualização. Basicamente, a computação em nuvem privada é a intersecção dessas duas tendências: virtualização e computação em nuvem.