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5 de jul. de 2013

Por dentro da Brasiliana

Autor: Eber Freitas.
Fonte: Gizmodo Brasil. Data: 26/06/2013.
URL: http://gizmodo.uol.com.br/brasiliana-usp-digitalizacao-livros/
Dentro da Universidade de São Paulo, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi criada em 2005. O prédio construído especialmente para receber o acervo do Dr. José Mindlin, que tem mais de 40 mil volumes, só ficou pronto no começo de 2013, mas a digitalização de seu acervo começou bem antes: em 2008, foi formada a equipe que seria responsável pelo projeto da Brasiliana USP, a versão digital da Mindlin, que foi ao ar em julho de 2009. A empreitada incluía também a criação de uma plataforma de software para disponibilizar o conteúdo, além de providenciar a parte de hardware, como scanners, servidores e storage. Fomos conhecer de perto o processo de digitalização de tantos volumes raros e históricos.
A Plataforma Corisco, nome do software open source da biblioteca, foi criada a partir do DSpace, projeto também de código aberto do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o conhecido MIT, com recursos da HP para custear o projeto. “É um software extremamente bem sucedido, com talvez centenas de instituições ao redor do mundo utilizando-o. Ele é escrito em Java, portanto tem uma tecnologia moderna voltada para a Web”, diz Edson Satoshi Gomi, coordenador de tecnologia da informação da Biblioteca Brasiliana.
Gomi, que também é professor do Departamento de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP, explica o que a Plataforma Corisco tem a mais em relação ao DSpace puro. “O que nós fizemos adicionalmente foi colocar algumas camadas que não existem no original. A primeira camada que colocamos foi uma interface web, que permite uma customização da cara, e o segundo componente que agregamos foi o que chamamos de visualizador de itens do acervo, sejam eles livros, imagens ou mapas.”
Outras duas camadas ainda serão implementadas: uma ferramenta para gerir todo o processo de digitalização e registrar metadados e outra para a preservação digital das imagens em alta resolução. “O volume de imagens que estamos produzindo é relativamente grande e o que é mais caro nesse processo todo é este trabalho de digitalização. Portanto, julgamos importante manter este conjunto de imagens de uma forma íntegra que não se perca isso ao longo dos anos.”
Maria Bonita e suas irmãs
E este volume de imagens é realmente enorme: a Maria Bonita e suas irmãs, apelido dado pela equipe da biblioteca às máquinas fabricadas pela canadense Kirtas, são equipadas com câmeras Canon de 21 megapixels – os modelos da linha Kabis têm duas câmeras em x, cada uma virada para uma página do livro; já o modelo Skyview, voltado para a digitalização de mapas, cartazes e jornais, tem apenas uma, que se desloca em dois eixos para varrer toda a extensão do material. Cada câmera é ligada num computador que, por sua vez, é ligado a um servidor. As imagens aparecem em tempo real no monitor do scanner.
Cada página “bruta”, por assim dizer, é uma fotografia com definição considerável (ainda que a imagem antes do recorte inclua também uma parte considerável do suporte em que o livro é colocado). “As imagens que nossos scanners produzem”, explica Gomi, “são imagens de altíssima resolução. Tipicamente, cada imagem pode ocupar uma dezena de megabytes de tamanho. Se multiplicarmos isso pela quantidade de páginas, não é incomum um livro ter vários gigabytes de tamanho.”
O livro é posto aberto numa mesa e o scanner vira as páginas através de uma espécie de aspirador de pó, que gruda as folhas por sucção e as vira. O processo é automático, mas tem que ser acompanhado por um funcionário, que ajusta a posição do livro vez ou outra, para as imagens não ficarem tortas. A velocidade máxima é de 2.500 páginas por hora.
Engana-se quem pensa que é arriscado colocar um livro raro numa máquina dessas. “Existe uma preocupação nossa com a integridade dos livros”, diz Gomi. “Mas é importante chamar a atenção de que o fato de termos um livro raro não significa que ele está em mal estado ou fragilizado, muito pelo contrário. Muitas vezes, livros antigos estão em estado tão bom que são relativamente robustos.”
A digitalização é só o começo de todo o processo. O que se segue é bem trabalhoso: o processo de recorte e tratamento da imagem. Segundo Gomi, já foram digitalizados 20 terabytes de material, mas nem tudo está disponível para acesso justamente porque falta esta etapa, que é um gargalo no fluxo de trabalho.
O objetivo é reduzir ao máximo o tamanho do arquivo e, ao mesmo tempo, garantir a legibilidade. Por isso, os arquivos em .pdf, cada um deles com cerca de 10MB, podem não ter exatamente a mesma cor das páginas do livro original, além de o contraste ser muito mais marcante.
A última etapa é o reconhecimento dos caracteres. Se você já sofreu com um programa de OCR, sabe o quanto é difícil. Aqui o problema é ainda maior, como explica Gomi. “O OCR é ainda, digamos, um problema em aberto. Para textos impressos com caracteres modernos, ele reconhece com uma certa precisão, mas nós estamos aqui tratando de textos antigos, além de muitos manuscritos.”
Paralelamente, são cadastrados os metadados de cada material, padronizados segundo o esquema Dublin Core, o mesmo do DSpace.
Quando está tudo pronto, o livro fica disponível no site da Brasiliana Digital. Ele pode ser visualizado na própria página sem a necessidade de plug-ins, para facilitar o uso escolar, ou baixado – é um arquivo .pdf, então talvez não fique muito bom no seu e-reader.
Aberto para todos
Mas a disponibilização do acervo para o público não é o único produto do projeto: o código-fonte da Plataforma Corisco está aberto para quem quiser usar. O Instituto Paulo Freire, por exemplo, já adotou o sistema. Mas open source não quer dizer de graça: já foram gastos mais de R$ 3 milhões no projeto, com recursos de entidades como o BNDES e a Fapesp.
Uma parte considerável desse valor foi para bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado. A Plataforma Corisco, além de tudo, é um projeto de pesquisa: para chegar onde está hoje, foram precisos erros e acertos. A primeira versão da edição original do livro de Hans Staden, por exemplo, foi disponibilizada com 1 gigabyte de tamanho (!) e isso só foi percebido porque um professor do grupo de desenvolvedores não conseguia baixá-lo.
A postura de ir resolvendo cada um dos problemas encontrados parece ser intrínseca à formação de bibliotecas digitais, como explica Gomi. “Não faz muito sentido se criar um padrão de como se constrói uma biblioteca digital. Certamente, há a necessidade de se ter uma liberdade nesse sentido, porque os tipos de acervo que podem ser construídos são muito variados. Podemos ter bibliotecas digitais de livros, de músicas, até de arquitetura, porque hoje é possível fazer digitalização 3D.”

Outro ponto a ser notado é o respeito aos direitos autorais: os mais de 3 mil itens disponíveis que estão em domínio público. Segundo Gomi, são mais de 1500 acessos únicos por dia e visitantes de vários países, inclusive daqueles que não falam português. Definitivamente, a Brasiliana USP leva o acervo do Dr. José Mindlin para muito mais longe do que uma biblioteca física.

9 de abr. de 2013

Obras raras da Biblioteca Brasiliana



Fonte: Jornal da Ciência Online. Data: 4/04/2013.
Desde terça-feira, 2 de abril, pesquisadores têm acesso a um raro acervo da literatura brasileira. Interessados podem agendar sua visita ao acervo de mais de 60 mil volumes, guardados num moderno edifício da recém-inaugurada Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, que guarda importantes obras da literatura brasileira, como o original de Grande Sertão Veredas, a primeira impressão de Vidas Secas e um livro do Padre José de Anchieta sobre a gramática guarani.
O precioso acervo está conservado num moderno edifício na capital paulista.. Com 20 mil metros quadrados e 60 mil volumes, a biblioteca está localizada na Cidade Universitária, zona oeste da cidade, e conta com climatização, auditório, livraria da EDUSP (Editora da Universidade de São Paulo), salas de pesquisa e leitura, laboratórios e anexos. O nome é uma homenagem a Guita e José Mindlin, os principais responsáveis pelo grande acervo. Em 2006, o casal doou sua coleção pessoal de 32 mil títulos e 60 mil volumes à USP.
Além do acervo da Brasiliana, o prédio tem um segundo bloco, previsto para ficar pronto em junho ou julho. Este módulo deverá abrigar o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). O público que visitar o espaço vai poder conferir a exposição com os cem livros e documentos mais valiosos da Biblioteca até o dia 28 de junho. Também poderá conhecer a exposição permanente "Não faço nada sem alegria", sobre a vida do casal Mindlin, a formação da biblioteca, a construção do edifício, a conservação do livro, a história da imprensa e o prazer da leitura, contados através de painéis, imagens, textos e vídeos.
O prédio foi inaugurado no dia 23 de março, durante evento com autoridades e convidados. Estavam presentes Marta Suplicy, ministra da Cultura; Sonia Mindlin, filha do casal que dá nome ao espaço; e Rodrigo Mindlin, arquiteto e autor do projeto junto com Eduardo de Almeida. "A gente teve a incumbência de pensar um espaço físico que poderia abrigar as pessoas de maneira humana, aberta, livre, com um acervo de obras raras tão especiais como esse, que foi construído ao longo de 80 anos", contou Rodrigo, que também é neto de Guita e José.

7 de mar. de 2013

Biblioteca Brasiliana


Fonte: Carta Capital. Data: 4/03/2013.

Na imensa caixa de vidro tenuamente iluminada por lâmpadas de LED reina uma suave penumbra. O sistema de ar condicionado e um filtro purificador mantêm afastados dois inimigos: poeira e umidade. O convidativo silêncio cria o clima propício à contemplação. Nas prateleiras acomodadas em três andares superprotegidos encontra-se um tesouro da cultura brasileira, a coleção de 60 mil volumes e perto de 32 mil títulos garimpados ao longo de 82 anos pelo empresário José Mindlin, doada por ele e sua mulher, Guita, à Universidade de São Paulo em 2006.

O homem que nutria um ciúme amoroso por seus livros morreu sem ver finalizado o templo erguido no campus para acomodar seu fabuloso acervo, cujas portas serão abertas ao público dia 23 de março. O complexo que abriga a Brasiliana USP, livraria, café, auditório e o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) consumiu 130 milhões de reais (obtidos por meio de parcerias da USP com a FAPESP e o BNDES) e seis anos de construção.

“Foi um grande investimento para abrigar a coleção com dignidade. O prédio seguiu os moldes da mais alta qualidade de construção, automação e mobiliário e ajuda a mostrar um caminho de excelência para o País”, diz o diretor da Brasiliana USP, Pedro Puntoni. Ao longo da trajetória, não foram poucas as críticas acerca do alto custo do projeto. “Bilhões são gastos em obras na cidade, por que não podemos ter uma biblioteca que faça jus à coleção que abriga?”

O belo edifício de linhas elegantes foi pensado como um abrigo para os livros, um centro de pesquisa e de atividades culturais e também uma plataforma tecnológica, com um laboratório de digitalização e acesso livre das imagens dessas obras raras por meio da internet, explica o historiador, envolvido com o projeto desde o início. Quando José Mindlin e Guita optaram por doar a coleção, que no íntimo ele sempre soube não poder ser propriedade de poucos, dada a sua dimensão e importância, o professor István Jancsó, diretor do Instituto de Estudos Brasileiros, ficou à frente do projeto e convocou Puntoni para ajudar na tarefa de digitalização. Com a morte de Mindlin, aos 95 anos, em fevereiro de 2010, e de Jancsó, aos 71 anos, um mês depois, Puntoni assumiu a direção. “Foi o ponto mais difícil da jornada. Não esperávamos que eles não vissem a obra concluída. Foi duro viver o luto e continuar.

Entre os modelos a inspirar a Brasiliana USP estão a belíssima Beinecke Rare Books and Manuscript Library, da Universidade de Yale, em Connecticut, e também a biblioteca da Brown University, em Rhode Island, ambas nos Estados Unidos. “São bibliotecas especiais, cujo foco é, sobretudo, preservar o acervo, formado por livros únicos, maravilhosos, e garantir o acesso a esses conteúdos raros”, diz Puntoni. Do ponto de vista arquitetônico, a Brasiliana que saiu das pranchetas de Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, neto do empresário, remete bastante a Beinecke. “A arquitetura foi pensada para que se tivesse uma visão de tudo. Lá os livros ficam numa caixa de vidro fechada, a nossa é uma caixa aberta.”

Para os que, como o argentino Jorge Luis Borges, acreditam que o paraíso seja uma biblioteca, esta é uma filial do Éden. Também aqui o impulso de tocar é irresistível, embora impraticável. A raridade das obras e sua fragilidade fazem com que a Brasiliana USP necessite impor regras especiais. Nenhum exemplar da coleção poderá ser emprestado. “As pessoas vão poder manusear alguns livros aqui, mas de acordo com normas que os curadores determinarão, como o uso de luvas.” Uma das primeiras tarefas do conselho da biblioteca será formular os procedimentos. “Tentamos conciliar essa dimensão mais restritiva, natural e comum no mundo todo, com a ideia de universalização do acesso. Isso nos é permitido com a tecnologia da digitalização e da informação.” Nesse quesito, o laboratório foi o primeiro na América Latina a contar com o robô Kirtas, capaz de ler 2,4 mil páginas por hora. O escâner, que no início do projeto custava 220 mil dólares, hoje custa 80 mil.

Os livros de domínio público encontram-se disponíveis na internet (www.brasiliana.usp.br), entre eles obras completas de Joaquim Manoel de Macedo, Joaquim Nabuco, Machado de Assis, José de Alencar, Castro Alves, Casimiro de Abreu e outros. Puntoni avalia que um terço dos 32 mil títulos que compõem a coleção estará na web. No caso dos livros em que o direito de propriedade intelectual esteja em vigência, a biblioteca oferecerá uma imagem digital. Um exemplo citado como icônico é o datiloscrito da primeira versão de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. “É um documento extraordinário da cultura brasileira e universal. É único, todo anotado e rabiscado pelo autor. Temos de oferecer esse exemplar para leitura, mas o curador decidirá quantos leitores poderão manusear este livro por ano.”

Os livros de Guimarães Rosa e de outros autores que morreram há menos de 70 anos não são passíveis de digitalização. “A Lei de Direito Autoral proíbe a reprodução de qualquer obra nessas condições, mesmo que seja apenas para preservação. Nenhum dispositivo limita o direito do autor em benefício da preservação e isso é trágico”, avalia Puntoni. Como contraponto, menciona a legislação estabelecida na Inglaterra em 1956. “Se a British Library quiser microfilmar ou digitalizar as partituras originais dos Beatles para acesso aos pesquisadores, pode fazer isso. Não poderá publicar na internet, o que também não é nosso objetivo. Nossa ideia seria oferecer acesso digital a um documento raro e evitar o manuseio.”

O precioso acervo que José Mindlin começou a construir aos 13 anos tem valor inestimável, sob todos os aspectos. Houve um momento, nos anos 1980, em que se noticiou a oferta de 25 milhões de dólares por parte de uma universidade americana. “Ele sempre recusou. Foi uma existência de garimpagem, de esperar o momento certo.” A generosidade do colecionador tornou-se conhecida. “Gerações de editores devem ser agradecidas, pois ele permitiu reproduzir imagens e emprestou títulos para exposições sem jamais cobrar. Queria que os livros fossem de todos e foi identificado por seus pares como o homem que tinha uma arca, que preservaria os objetos para o futuro”, conta o diretor. O gosto alucinado pelos raros exemplares manifestava-se revestido de cautela somente em alguns casos. Um dos xodós era a primeira edição de Viagem ao Brasil, de Hans Staden (1557), disponível online, os livros da imprensa régia e dos primeiros poetas brasileiros, como Cláudio Manoel da Costa. Esse título e outros como Marilia de Dirceo (1792), de Tomás Antônio Gonzaga, estarão em exposição até 28 de junho. “Esses, Mindlin exibia nas mãos dele.”

23 de mai. de 2012

Brasiliana abrigará coleção do Estado

 Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 21/05/2012.

Autor: Edison Veiga.

Em 1996, um acordo firmado entre o jornal O Estado de S. Paulo e o Museu Paulista – mais conhecido como Museu do Ipiranga – tornava pública uma coleção riquíssima: um exemplar de cada uma das edições publicadas pelo veículo, desde a número 1, de 1875, quando o jornal ainda se chamava A Província de São Paulo.
Após 16 anos servindo a pesquisadores que recorriam à instituição, a coleção se mudará em breve para a nova sede na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária. A mudança acontece no momento em que todo o conteúdo do jornal estará disponível na internet. A partir de quarta-feira (23/5), todas as edições publicadas nesses 137 anos estarão no portal Estadão.com.br.
“Os exemplares originais sempre eram acompanhados dos microfilmes para consulta”, comenta a historiadora Solange Ferraz de Lima, vice-diretora do museu. Ela acompanhou pessoalmente todas as etapas envolvendo o acervo.
Além dos exemplares de circulação diária, o museu recebeu também as séries completas do Supplemento em Rotogravura, dedicado a temas específicos da vida social, política e econômica brasileira, publicados entre 1928 e 1942. “No Museu Paulista, essas coleções dialogavam com os demais segmentos de nosso acervo, que incluem fotografias, objetos relacionados ao cotidiano e ao espaço doméstico, à vida pública, ao trabalho, atravessando temas variados, como a Revolução de 32, a vida de Santos Dumont, a evolução urbana da capital paulista”, acrescenta.
“Ambas as coleções são fontes de grande importância para a pesquisa histórica. Os jornais são fontes privilegiadas para o ofício do historiador. Especialmente no caso das linhas de pesquisa desenvolvidas no Museu Paulista, um museu universitário de história especializado no campo da cultura material”, diz.
O público pesquisador do museu é formado, em grande parte, por profissionais da área acadêmica. Aspectos da sociedade paulista e paulistana alimentaram muitas pesquisas de mestrandos, doutorandos e alunos de graduação sobre o cotidiano da cidade, a história política do Brasil no Império e na República.
Pesquisadores independentes também fizeram uso desse acervo, com consultas para caracterização de épocas para produção de filmes, e também para livros didáticos.
Estrutura
Entretanto, uma coleção desse porte também trouxe consigo alguns problemas. O Museu Paulista funciona em um edifício centenário, cuja construção foi concluída em 1890, e que não foi projetado para ser museu – as reservas técnicas ficam em áreas adaptadas.
“As condições do edifício, com pé direito muito alto, não permitem a criação de áreas inteiramente climatizadas”, comenta a vice-diretora. “Como não podemos sobrecarregar os pavimentos superiores, essas coleções necessitavam ficar no subsolo do museu.”
Mas os acervos da instituição continuaram crescendo, e muito. “Começamos a ter, e ainda temos sérios problemas para a acomodação do acervo. Existem projetos em curso nesse sentido, desde a adaptação do subsolo até um bloco técnico exclusivo para as reservas.”
Por causa disso, as coleções de jornais foram transferidas inicialmente para uma casa no Parque Cientec, espaço da USP na zona sul da capital, e, posteriormente, para outra casa alugada perto do museu. “Mas em nenhuma delas havia condições necessárias para abrigar um acervo de tal importância. Por essa razão, e com muito pesar, decidimos que para o bem da conservação desse acervo teríamos que abrir mão da tarefa de abrigá-lo.”
A melhor solução era que essas coleções continuassem na USP, senão no edifício do Museu Paulista, em outro espaço, mais adequado.
“É com prazer que vimos isso acontecer. As coleções que abrigamos por tanto tempo e com muito esforço continuarão na universidade, alimentando a produção de conhecimento, e em melhores condições, em um edifício especialmente construído para abrigar esses acervos.”
Higienização
Guardados provisoriamente num depósito climatizado até a transferência para a Brasiliana, os jornais foram higienizados página a página. “Conservação de jornais não é uma tarefa fácil”, explica a professora. “O papel ácido e as encadernações de couro ou material sintético resultam em um terreno propício para a proliferação de fungos.”
A logística era quase um ritual: os volumes ficavam na quarentena, dali saíam para limpeza com aspirador e trincha, remoção de dejetos e higienização interna folha por folha, com escova e aeração (folhear delicadamente o volume). Depois eram armazenados, enquanto outro lote ficava na quarentena.

10 de out. de 2011

BNDES destinará R$ 17,2 milhões para implantação de biblioteca


 Fonte: Jornal Valor Online. Data: 7/10/2011.



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinará R$ 17,2 milhões à Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), para a implantação da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. Os recursos, não reembolsáveis, serão aplicados na preparação do acervo e na aquisição de equipamentos para a finalização de obras civis no interior do edifício que abrigará a coleção.

O BNDES apoiará o gerenciamento do acervo; a aquisição de sistemas de detecção e alarme de incêndio e de segurança eletrônica; a instalação de auditório multimídia; a aquisição de mobiliário; a aquisição de equipamentos de tecnologia da informação para o Laboratório da Brasiliana USP; e a contratação de projeto de design de interiores.

A Biblioteca Mindlin introduzirá novo formato de acesso às obras, oferecendo ao público equipamentos de última geração para consulta e pesquisa, com o maior conteúdo digital possível. O Laboratório da Brasiliana USP oferece a estrutura de hardware e de rede necessárias para a biblioteca digital e para o desenvolvimento de pesquisa em tecnologias da informação. Em fase operacional desde fevereiro de 2009, o laboratório já digitalizou 22% do acervo da coleção da Biblioteca Mindlin que conta com cerca de 3.800 títulos.

20 de set. de 2011

Mil e cem livros da biblioteca de Mindlin

1.100 livros da biblioteca de Mindlin, no seu computador

URL: http://50anosdetextos.com.br/2010/1-100-livros-da-biblioteca-de-mindlin-no-seu-computador/

Autor: Valdir Sanches

Há duas bibliotecas em construção na USP para abrigar 17 mil títulos doados pelo empresário e bibliófilo José Mindlin, morto aos 95 anos, no dia 28 de fevereiro de 2010. A primeira, de concreto, pode demorar um ano para ficar pronta. A outra, virtual, está funcionando. Já tem disponíveis cerca de 3.500 documentos, dos quais 1.100 livros.
Ela pode ser acessada pelo link http://www.brasiliana.usp.br/