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10 de dez. de 2016

Espólio de José Saramago doado à Biblioteca Nacional de Portugal

Fonte: Jornal Hardmusica (Portugal). Data: 3/12/2016.
Por vontade do Nobel da Literatura será doado à biblioteca Nacional o seu espólio, numa cerimónia que terá lugar a 10 de Dezembro.
No dia 10 de Dezembro, quando passam 18 anos da entrega do Prémio Nobel a José Saramago, terá lugar na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) um acto formal de entrega do Espólio de José Saramago à BNP.
Desta forma, dá-se seguimento à vontade do escritor quando, antes e depois do Prémio Nobel, entregou à BNP alguns documentos, entre eles o original de “O Ano da Morte de Ricardo Reis” e o Diploma do Nobel.
Para aqueles a quem cabe continuar José Saramago, família e fundação, esta era a sua vontade e será respeitada” diz Pilar del Río, presidenta da FJS. e mulher do escritor
Trata-se de uma doação sem contrapartidas financeiras. O espólio podia ter sido vendido a instituições privadas, mas fica em Portugal tornando os portugueses, de alguma forma, seus herdeiros.
A BNP assegurará o tratamento, conservação e disponibilização para investigadores e sempre em colaboração com a Fundação José Saramago.
Serão doados originais, sejam manuscritos e dactilografados, de romances do escritor, assim como correspondência trocada com amigos e outros escritores e ainda cadernos de notas preparatórias para os livros, materiais que constituem a oficina de um escritor.

Por enquanto não há previsão de prazos para a conclusão da entrega dos materiais.

4 de jul. de 2012

Memorial do amor


Fonte: O Globo. Data: 02/07/2012.
Autor: Ricardo Viel.
No dia 18 de junho de 2011, em uma cerimônia que lembrou o primeiro ano da morte do Nobel português José Saramago, os restos do escritor foram depositados em frente à Casa dos Bicos, na Baixa de Lisboa. Nesse prédio de quatro andares e cinco séculos de história funciona a sede da Fundação José Saramago. Ali estão a biblioteca e o acervo pessoal do escritor. O local foi aberto ao público no último dia 13 e servirá como espaço para exposições, lançamento de livros, exibição de filmes e realização de palestras. Mais do que cuidar do legado do Nobel, a fundação presidida pela espanhola Pilar del Río tem por objetivo servir de centro cultural. Depois da morte do marido a jornalista pediu e obteve a nacionalidade portuguesa, e se mudou a Lisboa para comandar a fundação de perto.

29 de jan. de 2011

Casa-Museu de Saramago em Lanzarote deve abrir as portas a 18 de Março

Autor: Jorge Marmelo.
Fonte: Público, Lisboa. Data: 28/1/2011.
A viúva de José Saramago, Pilar del Río, adiantou hoje, num chat com leitores do jornal espanhol El País, que a casa-museu do escritor na ilha de Lanzarote deverá ser aberta ao público no dia 18 de Março, exactamente nove meses após a morte do prémio Nobel da Literatura naquela que foi a sua última residência.
Questionada sobre a continuidade da obra de Saramago em Espanha, Pilar afirmou a “firme vontade” de abrir a casa do escritor ao público naquela data, “para quem quiser entrar e respirar o ar de Saramago”. A conversa, refira-se, assinalou a estreia em Espanha, esta semana, do documentário “José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes.
Numa entrevista concedida ao PÚBLICO em Novembro do ano passado, a viúva do escritor tinha já antecipado alguns pormenores sobre o funcionamento da casa-museu. Estará acessível não só a biblioteca que o escritor ali reuniu, mas também o escritório onde Saramago escreveu “Ensaio sobre a Cegueira”. “Durante várias horas, [a casa] estará aberta ao público e vai cheirar a café, porque vamos dar café português a todas as visitas. Passarão também pela cozinha, que é aberta, sairão pelo jardim. Irão à biblioteca e à sala de reuniões onde verão fotografias de Saramago em Lanzarote ou dele com escritores. A partir das três da tarde acabam as visitas e a casa continuará a ser vivida pelas pessoas que a habitam e que lá estão”, explicou Pilar del Río ao PÚBLICO.
Um dos momentos mais tocantes da conversa com os leitores do El País aconteceu quando Pilar foi confrontada com uma afirmação de Saramago no documentário, na qual ele diz que o céu não existe. “Onde está Saramago agora?”, perguntou o leitor. Pilar respondeu que o escritor está nos livros que escreveu. “Ele dizia que cuidássemos de cada livro que abríssemos porque, lá dentro, havia uma pessoa”, disse. Saramago, acrescentou, “está na música que ouviu, nos quadros que viu, nos livros que acariciou e, perdoem-me, está também no meu corpo”.
Questionada por um não leitor de Saramago que lhe pediu um motivo para passar a lê-lo, Pilar afirmou que aqueles que lêem os livros do escritor português se sentem “mais espertos, mais altos, mais bonitos e melhores”. “Sentir-se-á respeitado como leitor, uma vez que terá que empenhar muito de si para compreender [o que lê] e tomará consciência de que é mais sábio do que pensava”, respondeu a viúva.