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3 de fev. de 2017

Site disponibiliza acervo raro com mais de 2 mil obras da literatura de cordel

Fonte: Universia Brasil. Data: 20/01/2017.
Um acervo raro da literatura de cordel, gênero literário muito popular no nordeste brasileiro, agora está disponível para os leitores de maneira online e gratuita. A Fundação Casa Rui Barbosa (FCRB) criou o Cordel – Literatura Popular em Verso, um site que reúne, até o momento, obras de 21 cordelistas. No total, estão disponíveis 2.340 folhetos para consulta.
O site reúne versões originais e variantes dos cordéis. Foram disponibilizados ao público aqueles que já estão em domínio público e os que foram autorizados pelos próprios autores ou por suas famílias a fazerem parte do acervo digital.
O projeto foi idealizado pela professora Ivone da Silva Ramos Maya que, após receber um material muito raro do cordelista Leandro Gomes de Barros, um dos mais reconhecidos e importantes poetas do gênero, passou a imaginar um meio de dividir com o público os escritos do autor.
Em entrevista concedida ao Ministério da Cultura, ela diz que tem planos de ir mais longe com a ideia: “pretendo encaminhar uma proposta para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), para que o cordel seja tombado como patrimônio da humanidade”, disse.
Além dos folhetos, o site possui também biografias dos autores e a bibliografia disponível na FCRB com 400 referências dentre artigos, livros, recortes, teses e dissertações.

2 de jul. de 2013

Lançamento: literatura de cordel



Acaba ser publicado o livro "Representação Temática da Informação na Literatura Popular de Cordel" pela Editora Appris - Coleção Ciências da Informação. A obra é de autoria de Beth Baltar.
O livro já está à venda no sitio da Editora Appris: http://www.editoraappris.com.br 

31 de mai. de 2013

Casa de José Américo inicia processamento técnico do acervo de cordel

Fonte: Governo da Paraíba. Secretaria de Cultura.
O projeto “Acervo Inicial de Literatura de Cordel Leandro Gomes de Barros”, desenvolvido pela Fundação Casa de José Américo, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, encontra-se no final da quarta etapa, que corresponde ao processamento técnico do acervo adquirido. O projeto tem o objetivo de formar um acervo especializado em literatura de cordel e obras literárias afins, para preservar a memória da cultura popular regional e disponibilizá-lo ao público.
Elaborado pela equipe da Biblioteca Dumerval Trigueiro Mendes e do Departamento de Pesquisa, ambos os setores da Fundação Casa de José Américo, o projeto foi iniciado em julho do ano passado e está sendo desenvolvido em cinco etapas sucessivas: pesquisa, seleção, aquisição, processamento técnico e elaboração de um catálogo.
A etapa atual, que é o processamento técnico, é a parte da indexação ou identificação do assunto dos folhetos. A coordenadora do projeto e diretora da Biblioteca Dumerval Trigueiro Mendes, Nadígila Camilo, explicou que ela é realizada através da leitura textual para definir o assunto de cada folheto. Os folhetos adquiridos se encontram em variados formatos, tanto nos tradicionais, como também, em forma de revista em quadrinhos, livros de literatura infantil, para o incentivo do hábito de leitura.

Nadígila explicou que o formato de livro é usado como instrumento pedagógico no ensino de várias disciplinas: Português, História, Geografia e outras. Acrescentou que como objeto de estudo científico, o cordel vem sendo pesquisado nas diversas áreas do conhecimento. Segundo ela, até agora já foram processados tecnicamente 3.048 folhetos e catalogados 554 autores das diversas regiões do Brasil. Foram adquiridos folhetos antigos considerados clássicos e raros e também de novos autores. (...)

16 de jan. de 2012

Literatura de cordel

O Acervo de Literatura Popular em Versos da Fundação Casa de Rui Barbosa, o maior da América Latina, atualmente com mais de 9.000 folhetos de cordel foi formado a partir da década de 1960 e, dessa iniciativa resultou uma extensa bibliografia, composta de catálogos, antologias e estudos especializados.
Projeto
O objetivo geral do Projeto Literatura Popular em Versos na Casa de Rui Barbosa é a preservação, conservação e disponibilização dessa coleção única no mundo. Dadas suas características de raridade, originalidade e antiguidade, faz-se necessário garantir sua preservação contra o desgaste do tempo e do manuseio, submetendo-se a coleção a tratamentos técnicos e tecnológicos específicos, assegurando-se a restauração dos folhetos, a confecção de invólucros adequados para a guarda e sua digitalização.
A revisão e inserção dos registros catalográficos na base de dados a Fundação, possibilita a consulta on-line de todo o acervo, a realização de estudos e trabalhos de pesquisas sobre essa manifestação da cultura popular brasileira.
A versão digital dos folhetos é disponibilizada no portal da FCRB por meio deste site, desenvolvido em dois momentos. Ele foi inicialmente concebido para disponibilizar a coleção de Leandro Gomes de Barros, pesquisado em profundidade pela profa. Ivone Maia com o apoio da FAPERJ, num projeto em parceria com a Casa de Rui Barbosa, que foi mantido inédito e serviu de modelo para o projeto com a Petrobrás.  Esse trabalho sobre Leandro Gomes de Barros foi mantido na íntegra, assim como também a estrutura do site e seu projeto gráfico.
No segundo momento, com o patrocínio Petrobrás, expandiu-se o escopo do site e foram acrescentados 9.000 folhetos digitalizados e biografias de 20 outros poetas, e bibliografia sobre cordel disponível no acervo da Fundação, com 400 referências, dentre artigos, livros, recortes, teses e dissertações.
Nota do blog
O acervo pode ser consultado no URL: www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/index.html

15 de dez. de 2011

Digital e em inglês, o cordel cai no mundo

Fonte: Portal Vermelho. Data: 14/12/2011.
Tradição nordestina ganha espaço na rede com obras completas disponibilizadas por várias instituições no Brasil e até mesmo nos Estados Unidos. Por enquanto.
Popularizada em feiras livres da Região Nordeste do Brasil, onde seus folhetos impressos em papel pardo adornados por xilogravuras ficavam expostos em varais, a literatura de cordel também pode ser acessada via internet. Uma das principais fontes para esse acesso é a Fundação Casa de Rui Barbosa, localizada no Rio de Janeiro. Repositório de literatura popular desde 1989, o órgão disponibilizou parte do acervo de 9 mil folhetos em um site especialmente construído para facilitar o acesso remoto.
Segundo Dilza Ramos Bastos, chefe de Serviço de Biblioteca da instituição, o trabalho começou em 2001. Inicialmente, a ideia era divulgar o material por meio de CDs e, depois, migrou para a rede. A digitalização foi uma medida importante para a preservação do próprio acervo, que passou a ser menos manipulado por pesquisadores. “Nós diminuímos a manipulação e facilitamos o acesso à informação visual do texto e das ilustrações”, explica. “Hoje são raros os casos em que precisamos dar acesso direto ao documento.”
Dos romances ibéricos aos repentes
A origem exata da literatura de cordel é difícil de ser pontuada. Formas literárias similares são encontradas em outros países, como França, Espanha e Portugal. Os romances ibéricos em versos, oriundos da tradição oral e posteriormente impressos em folhetos, e os desafios improvisados do Nordeste, são indicados por pesquisadores como algumas das forças criadoras do cordel.
Surgido na primeira metade do século XIX em Pernambuco e na Bahia, a forma clássica do cordel atingiu o auge da produção entre 1930 e 1960. Impressos em papel barato, os folhetos de cordel mediam cerca de 12×18 centímetros e possuíam de oito a 32 páginas, ilustradas com imagens reproduzidas de jornais ou xilogravuras.
Seus versos rimados relatavam desde temas tradicionais (como os romances de cavalaria medieval) até eventos sociais, econômicos e políticos brasileiros, como o fenômeno do cangaço ou o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954.Um dos primeiros cordelistas a imprimir e vender seus versos foi o paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), autor de Peleja de Manoel Riachão com o Diabo, publicado, provavelmente, em 1889. Tal -folheto pode ser lido e impresso na íntegra pelo usuário por meio do site da Fundação Casa de Rui Barbosa (www.casaruibarbosa.gov.br/cordel).
Até no Congressso norte-americano
Outras instituições como a Fundação Joaquim Nabuco, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel e até mesmo a Biblioteca do Congresso norte-americano possuem acervos digitais semelhantes.
Atualmente, existem 2.340 folhetos digitalizados no banco de dados virtual da instituição, inaugurado em julho de 2008. A escolha das obras publicadas na rede procurou obedecer aos critérios de direitos autorais e de raridade. Por causa disso, apenas 25% dos 9 mil folhetos foi disponibilizado para o acesso via internet. O número corresponde aos autores que já caíram em domínio público ou cujos herdeiros autorizaram sua reprodução.
Para o presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, todos os meios de comunicação acabam se constituindo como novos espaços de produção e divulgação dos cordéis. “Muita gente pensou no início que o rádio de pilha acabaria com a literatura de cordel. Pelo contrário, ele serviu como veículo de divulgação para os cordelistas e repentistas”, reflete o cordelista nascido na cidade cearense de Ipu, em 1937.
Onde encontrar:
Fundação Casa de Rui Barbosa
Sem a necessidade de cadastro, é possível folhear e imprimir em baixa resolução os cerca de 2340 cordéis do acervo. No entanto, a mecânica de busca do banco de dados é um pouco complicada.
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
Possui um bom acervo de cordelistas contemporâneos, mas disponibiliza apenas capas e os versos em texto, sem a diagramação de um cordel impresso.
Fundação Joaquim Nabuco
Apresenta 41 folhetos de cordel do acervo da instituição na íntegra, em formato pdf.
Biblioteca do Congresso dos EUA
Reúne informações, biografias e imagens de folhetos de cordel. O conteúdo, porém, está em inglês.

15 de nov. de 2011

Cordel: Folhas volantes

Fonte: Diário do Nordeste (Fortaleza). Data: 14/11/2011.
URL: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1069882
Com um acervo de menos de 2 mil exemplares de literatura de cordel, a Biblioteca Nacional faz campanha para divulgar aos cordelistas a Lei do Depósito Legal, que obriga a doação de toda publicação em território nacional ao acervo da entidade, com o objetivo de perpetuar o escrito
A Universidade do Novo México possui um acervo de 4,6 mil exemplares do folheto que é a expressão mais tradicional da literatura popular do nordeste brasileiro: o cordel. A Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos, em Washington, um número ainda mais robusto, com cerca de 9 mil títulos. No Brasil, uma surpresa ruim: a coleção da instituição que deveria traçar um panorama fiel de tudo que é produzido em território nacional, a Biblioteca Nacional (BN), resguarda um pífio acervo - conta com menos de 2 mil publicações.
Na tentativa de sanar essa alarmante deficiência, a entidade dá início à uma campanha de divulgação da lei que torna obrigatório aos autores a doação ao seu acervo de pelo menos um exemplar de cada obra publicada no País. Regulamentado sob as leis federais número 10.994 e 12.192, o chamado Depósito Legal prevê a doação de livros, jornais, discos, DVDs musicais e até catálogos de exposições e livros virtuais (e-books).
"A lei institui uma multa, mas a gente tem uma política de bom relacionamento com editores e autores", alerta a chefe da Divisão de Depósito Legal da Biblioteca Nacional, Daniele del Giudice. E dentro deste contexto, está também o cordel, muito embora nem autores, nem editores costumem saber disso. 
Como o acervo que depende destas doações, a Biblioteca acaba não conseguindo cumprir o seu papel de guardiã desta produção. "A literatura de cordel está parada (no setor de Depósito Legal da biblioteca). Esse mês de outubro, nós recebemos apenas oito exemplares do Brasil inteiro", atesta.
Ela explica que a postura da entidade é de buscar conscientizar os autores da importância dessa doação. "Por isso, a grande divulgação que queremos fazer no Norte e Nordeste, que é onde está a maioria dos produtores", justifica. A ideia é divulgar a lei e sua abrangência ao cordel por meio da imprensa preparando terreno para, em 2012, uma comissão da entidade correr feiras e bienais com material informativo.
Acervos particulares
Os dados sobre os acervos citados no início da matéria foram retirados de um levantamento feito pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), localizada no Rio de Janeiro. O presidente da entidade, Gonçalo Ferreira da Silva, considera difícil mobilizar autores de cordel a enviar cópias de suas publicações à Biblioteca. "Os 40 cordelistas membros da ABLC encaminham para a academia suas publicações e, normalmente, 10 exemplares de cada. A gente re-encaminha para a Biblioteca Nacional. Mas fora do colegiado, não temos esse controle", diz. "Você é um poeta que mora nos cafundó do sertão, você vai estar preocupado com Biblioteca Nacional? Você está preocupado em ler o folheto para os amigos na feira", argumenta.
Ele estima que no Brasil existam 40 mil títulos de cordéis entre acervos particulares e de entidades, um dos maiores pertencente à própria ABLC, com 13 mil títulos, seguida da Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ), 9 mil; Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (RJ); 8,9 mil; e a Fundação Joaquim Nabuco, com 7.3 mil.
Investimento
Editor e autor de literatura de cordel, o cearense Klévisson Viana, considera importante este tipo de ação vinda da BN. "Nunca tivemos a preocupação de mandar nosso material. E o nosso catálogo gira em torno de 300 obras. Toda semana a gente publica três ou quatro títulos", diz. Para ele, no entanto, é preciso mais empenho por parte da BN e sugere que a entidade abra vias de debate com os cordelistas para explicar a lei e a importância da catalogação. "Acho que os autores não se sentem motivados em mandar porque ninguém vive de vaidade. É importantíssimo que essa obra esteja catalogada, mas porque não levantar o que existe de produção e comprar? Eu não teria problema de doar um exemplar, mas sei de muitos poetas que vivem em situação difícil e, pra eles, isso é irrelevante", aponta.
Klévisson cita ações de várias entidades no sentido de criar acervos, como o das universidades de Osaka, no Japão, que constantemente adquire novas publicações, e Havard, nos EUA, que enviou recentemente duas bibliotecárias para pesquisar e comprar acervos. O Centro Cultural Banco do Nordeste montou também recentemente quatro acervos para disponibilizar ao público em suas sedes de Fortaleza, Crato, Souza (PB) e outra no novo centro que funcionará em Teresina (PI).
"A fundação Biblioteca Nacional está querendo correr atrás do lucro, porque ninguém corre atrás do prejuízo. Pode ser que eu esteja equivocado, que a minha visão seja miúda, tacanha. Talvez seja necessário que isso seja melhor divulgado e esclarecido", conclui o artista.
Depósito Legal
O Depósito Legal é regulamentado pelas leis N. 10.994, de 2004 e 12.192, de 2010, obrigando remessa à Biblioteca Nacional de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional. As obras passam a integrar a Coleção Memória Nacional, tendo, assim, asseguradas sua guarda e difusão. Além de livros e folhetos de cordéis, estão inclusos os discos e DVDs de apresentações musicais. Entre as publicações que estão isentas da obrigação estão monografias e teses universitárias, material publicitário, calendários, agendas, etc. Ao publicar uma obra, o autor deve:
- Reservar no mínimo um exemplar para o acervo da Biblioteca Nacional
- Enviá-lo acompanhado de uma carta de apresentação para:
Biblioteca Nacional
Av. Rio Branco, n. 219/ 3. andar -
Centro, Rio de Janeiro, RJ. CEP: 20040.008
Mais informações: (21) 2220-1892 ou ddl@bn.br